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Parto


Após o período gestacional de uma fêmea que pode variar em função de raça, estação do ano, número de filhotes, sexo dos bebês, genética da mãe, acontece o tão esperado momento, o nascimento dos filhotes.
O objetivo desta matéria, é relatar alguns momentos desta mamãe Exotic SH, de nossa propriedade, que teve uma gestação normal e um parto normal, sem intercorrências que exigiriam a intervenção de um Médico Veterinário.
Dividiremos este período em três fases:

– A primeira fase do trabalho de parto pode durar seis horas.
Nesta fase iniciam-se as contrações involuntárias dos músculos uterinos que começam a empurrar o feto para  ser expulso.
A fêmea nesta fase tende a ficar inquieta e normalmente tende a cavar, num comportamento típico de quem deseja se entocar.

Os primeiros sinais que caracterizam a início do trabalho de parto são as visualizações das secreções expulsas, nos momentos que antecedem ao nascimento.

Neste momento, é normal a mamãe se lamber. É um ato instintivo que tem como objetivo de que nenhum vestígio seja deixado no local, evitando atrair predadores.

As contrações tornam-se evidentes.

A respiração torna-se ofegante e dá-se uma descarga vaginal.

– A segunda fase, que pode durar entre 10 e 30 minutos e não mais de 90 minutos, começa quando a membrana que envolve o feto aparece, estimulando a fêmea a ajudar com as próprias  contrações voluntárias dos músculos abdominais, ou a fazer força para baixo.

Pouco tempo depois, uma bolsa acinzentada e translúcida, cheia de líquido aparece. O intervalo entre as contrações diminui e dá-se a expulsão do feto. É possível visualizar o gatinho dentro da bolsa.

Ocorrem as contrações finais e o filhote é expulso totalmente. Os filhotes podem se apresentar em posição normal, ou seja, apresentam primeiramente a cabeça, ou em posição pélvica, ou seja, de bumbum, ou até mesmo com os membros posteriores primeiro. Neste momento a mãe automaticamente começa a limpar o filhote com o objetivo de liberá-lo das membranas que o envolvem de maneira que possa respirar livremente.
Neste momento a presença do dono ou do profissional é muito importante, pois algumas mães não o fazem adequadamente e o filhote acaba por aspirar o líquido amniótico, podendo desenvolver pneumonia por aspiração e até mesmo vir a óbito.
Após a limpeza do filhote, a mãe corta o cordão umbilical com os dentes e muitas vezes ingeri a placenta. É natural e fisiológico e não há necessidade de impedi-la, mesmo porque a placenta é rica em nutrientes e ocitocina que favorecerão a continuidade do parto.
O acompanhante que estiver com a fêmea, neste momento, pode romper a membrana com os dedos as mãos calçadas com luvas e com uma compressa cirúrgica, ou compressa de gases, pode-se liberar as vias aéreas do filhote, narinas e boca, deixando o restante do trabalho para a mamãe realizar.
Caso ela seja inexperiente ou não o faça por algum motivo, você mesmo deverá amarrar o cordão umbilical com pedaço de fio dental, ou mesmo uma tira de gases. Dê dois nós bem apertados a cerca de 3 cm do umbigo e corte com uma tesoura esterilizada a 0,5 cm do nó, do lado da placenta. Envolver o filhote na compressa cirúrgica e secá-lo com movimentos que estimulem a função respiratória.

Neste momento talvez a mamãe já esteja contraindo para expulsar o próximo filhote, portanto, mantenha os que já nasceram aquecidos, até que ela tenha condições de cuidar deles.

– A terceira fase que ocorre momentos após a expulsão do filhote, é a expulsão das membranas e da placenta.

Cada gatinho tem suas próprias membranas e sua própria placenta, portanto conte o número de filhotes, pois voce deverá ter o mesmo número de placentas, mesmo que elas sejam expulsas após o nascimento deles. Muitas vezes, as placentas se enroscam e os fetos são expulsos, ficando as placentas retidas temporariamente.

Após o término das contrações, a mãe estará pronta para receber os filhotes para mamar.
Instintivamente o próprio filhote procura por um mamilo e começa a sugar. Caso ele se encontre em dificuldade, coloque-o próximo a um mamilo até que ele se acostume.

Este é um momento especial entre mãe e filhotes, pois a fêmea os acaricia, os envolve transmitindo seu calor e normalmente passa as primeiras horas sem deixá-los sozinhos por um só instante, sempre preocupada com o bem estar deles.

Contate sempre o Médico Veterinário nestas situações:

  • Quando as contrações da fêmea se prolongarem durante horas, sem que o trabalho de parto evolua para a expulsão dos filhotes.
  • Quando não ocorrerem contrações até 6 horas pós-descarga de sangue ou de secreções pela vulva.
  • Quando as contrações pararem durante mais de duas horas, e ela ainda não tenha dado a luz a nenhum filhote.
  • Se a fêmea sangrar significativamente.
  • Se ocorrer uma descarga vaginal branca ou de cheiro desagradável.
  • Se a fêmea estiver deprimida e ou letárgica.
  • Se a fêmea não voltar a se alimentar normalmente  após as primeiras 12 horas pós-parto.
  • Se a gata  continuar a ter contrações continuadas e repetitivas por várias vezes depois do nascimento do último filhote e da expulsão da última placenta.
  • Caso a gata apresentar febre.
  • Caso a gata não mostre interesse pelos seus filhotes.
  • Quando a gata estiver apresentando contrações fracas e não conseguindo expulsar os filhotes.
  • Quando os filhotes estiverem parcialmente expelidos e as contrações cessarem.
  • Quando o tempo de gestação se prolongar por mais de 4 dias da data limite.       

Imagens feitas por Carolina Nicolini
Texto elaborado pela Dra. Sonia Soares

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